
Existe uma diferença fundamental entre ter um sentimento de aceitação e ser uma pessoa acomodada ou conformada que não move uma palha para mudar. A aceitação traz paz interior e ao mesmo tempo permite que você faça tudo ao seu alcance para mudar a situação. Já o conformismo mantém as pessoas em situações que poderiam ser modificadas para melhor. A aceitação é baseada em uma sabedoria mais interior; já o conformismo é baseado em sentimentos ligados à baixa auto-estima, sentimentos de não ser capaz, de não merecer algo melhor.
Normalmente, as pessoas confundem o sentido de uma coisa com a outra. "Eu não posso aceitar essa situação porque senão, não farei nada para mudar". "As coisas só estão do jeito que estão porque todo mundo aceita tudo". Quando não aceitamos as coisas do jeito que são, seja o que for, criamos um conflito interior que gera tensão e sofrimento. Brigar com a realidade do jeito que ela é, inútil sabemos disso.
As pessoas acham que elas só podem ser impulsionadas a fazer algo baseadas em sentimentos de raiva e indignação. Certamente, esses sentimentos podem levar você a agir e mudar a sua vida. No entanto, é possível agir e fazer tudo que tem que fazer para mudar para melhor, e ao mesmo tempo em que se aceita o momento presente que ainda é diferente do que você deseja. Assim você consegue dar todos os passos para a mudança se sentindo em paz. Quando você não aceita, a mudança se torna dolorosa, sofrida.
O que é a raiva de alguém? É a não aceitação do jeito da pessoa ou do que ela fez contra você. A raiva muda o que passou? Não. A raiva que você sente muda a outra pessoa? Não. Mas talvez você consiga, impulsionado pela raiva, dar um basta para aquela pessoa. Isso é verdade. Mas que tal você fortalecer a sua auto-estima e aprender a dizer não e dar limites na hora certa? Nesse caso, mesmo que alguém seja desagradável com você, você não precisará sentir raiva para tomas atitudes. Você irá agir com tranqüilidade, seja se afastando da pessoa, seja dizendo um não pra ela. Ao mesmo tempo que você “aceita" o que ela fez e o que ela é (por que você não pode brigar com a realidade), você toma as providencias que tem que tomar.
A não aceitação é a briga com a realidade, é baseada na imaturidade emocional, na falta de consciência. O conformismo pode se disfarçar de aceitação, mas é algo bem diferente, pois é baseado também em sentimentos negativos.
Sim, é difícil aceitar as coisas. Falar é fácil, ainda mais em situações extremas como a morte de alguém. Vejam que, nesses casos, é impossível mudar a situação. Não existe outro caminho para que a pessoa se sinta em paz, é aceitar total e incondicionalmente o que aconteceu. O mesmo quando ocorre uma grande perda financeira, um término de um relacionamento, ou outra situação mais dolorosa que não tem como você mudar o que houve. Não há o que fazer somente limpar os sentimentos negativos, qualquer um que surja: revolta, culpa não entendimento, incompreensão, desespero.
Existem coisas no nosso dia-a-dia muito menores que não aceitamos e sofremos por isso: O emprego, o marido, o chefe, o engarrafamento, a casa onde moramos, o quanto ganhamos, algo que quebrou, noticias na televisão de violência e corrupção, e etc.
É importante ter bastante persistência, até começar a sentir a aceitação, até que as queixas percam a força emocional. Isso ajuda, inclusive, a diminuir a ansiedade. A sensação que fica ao eliminarmos a não aceitação é: Eu desejo mudar pra melhor, mas eu me aceito e me amo do jeito que sou. Eu gosto de ficar mais bonita. Mas eu me aceito e me amo como sou agora. É bom que eu emagreça, mas eu me sinto em paz desde já.
E assim você poderá trabalhar qualquer coisa: Revolta contra uma doença, situação de vida, pessoa e etc. Criar aceitação é um grande passo para iniciar a mudança.
(Por André Lima)
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